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8 de julho de 2010

Quer fazer bem feito? Faça o contrário da Giuliana Flores.

É fato que no Brasil o desrespeito ao consumidor é uma prática das empresas, talvez uma das melhores práticas, aquela que elas fazem com maior desenvoltura.
Hoje, 08/07 aniversário de uma pessoa e resolvi mandar umas flores atividade simples, ontem, no período da tarde fiz o pedido, paguei via transferência bancária pra ser mais rápido, paguei um frete específico para que a entrega ocorresse no período da manhã, afinal, a pessoa trabalha e seria mais fácil surpreender nesse período. Em seguida recebi por e-mail o comprovante de recebimento e fiquei tranquilo.
Hoje pela manhã tinha uma reunião extensa na empresa, meu telefone tocou duas vezes, não pude atender. Por volta das doze horas saí da reunião e peguei o recado deixado em caixa postal, era o SAC da Giuliana Flores pedindo que eu entrasse em contato, prontamente entrei no site (chat).
A atendente Daiane me disse que sua equipe havia feito uma tentativa de entrega porém sem sucesso, uma vez que não conseguiram localizar o número da residência, disse a ela que era impossível, afinal, o número era grande e no meio do portão, ela então me disse que para efetivar a entrega eu precisaria pagar um novo frete. Achei absurdo, ela disse que passaria ao departamento responsável.
Liguei, discuti, ensinei um pouco de boas práticas de relacionamento com consumidor e principalmente legislação, afinal, se não vai por boa vontade, tem que ir "sem vasilina" como diz um amigo meu.
Entregaram por volta das 15hs.
Pergunto a vocês: se eu precisar enviar algo para alguém numa data especial vou procurar a Giuliana Flores?
E você?
As coisas são muito simples, a gente compra, paga e quer receber, eu não quero nenhum mimo de empresa nenhuma, não quero e não preciso de favor e acho que você também não, portanto comprei flores e quero apenas que cumpram aquilo para que foram pagos, criar um belo arranjo, entregar no período combinado e pronto, conquistar a lealdade do cliente.
Mas parece que eles não se preocupam com isso, afinal, sou apenas um na massa de clientes que a internet é capaz de levar a empresas incapazes de sequer entregar direito o que vendem.
Esse texto é só para mostrar como não se deve ser feito, se você tem uma empresa, ou trabalha numa empresa e precisa satisfazer seu cliente, pois, se importa com ele, é muito simples, faça o contrário da Giuliana Flores.

Pablo Souza
Consultor de Marketing
Analista da Atlas Schindler


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7 de julho de 2010

Lei de Direito Autoral promete mudanças

Reforma geral, que prevê extinção do Ecad, reaviva antigas divergências entre escritório, produtores e executores de música no BrasilPara enviar essa notícia é preciso efetuar o login, Aqui.
Por Sérgio Damasceno
Projeto de Lei 2.850 prevê extinção do Ecad O Congresso Nacional debate duas propostas de reformas que poderão alterar a configuração atual sobre os direitos autorais de música no Brasil e da arrecadação e distribuição sobre execução, amplamente controladas pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad).
As alterações sugeridas para a Lei de Direito Autoral (LDA 9.160/98) pretendem adequar a legislação às novas tecnologias (internet e reprodução digital), principalmente. E a segunda mudança trata do Projeto de Lei 2.850 (PL 2.850), que, entre outras proposições, dispõe sobre a atualização e consolidação da legislação sobre o direito autoral do compositor musical, extingue o Ecad e cria o Centro de Arrecadação e Distribuição de Direitos Autorais (Cadda) e o Fundo de Amparo ao Compositor (FAC).
A LDA está em consulta pública desde 14 de junho e aceitará contribuições até 28 de julho, quando será encaminhada ao Congresso. Quanto ao PL 2.850, a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, do Congresso Nacional, votaria, na semana passada, as mudanças. Mas, por falta de quórum, a sessão não foi realizada. Procurado, o Ecad informou, por meio da assessoria de imprensa, que não se pronunciaria a respeito.
A reforma do PL 2.850 é polêmica porque o projeto original cria condições para apurar a atua­ção do Ecad e envolve a falta de transparência e de auditoria do escritório, o que tem gerado, ao longo do tempo, conflitos entre a entidade e os produtores.
O tema é espinhoso e o Ecad vive às voltas com batalhas judiciais que envolvem tanto a mídia tradicional, como a TV, quanto as novas formas de transmissão e execução musical, como o webcasting (rádio e TV pela internet).
Apenas no ano passado, o Ecad brigou pela arrecadação - e ganhou - de empresas como a Band (que ficou com uma conta de R$ 70 milhões para recolher ao Ecad) e as operadoras de TV por assinatura como Sky, TVA SP e NET Rio de Janeiro e Santa Catarina.
A principal queda de braço se dá justamente com a TV. As emissoras - abertas e pagas - questionam os valores cobrados e, muitas vezes, vão à Justiça porque deixaram de pagar a taxa de recolhimento ao escritório. A única vitória a favor das emissoras foi da MTV: depois de dez anos, a emissora foi desobrigada, pelo Supremo Tribunal de Justiça, a recolher a taxa (de 2,5%) sobre o faturamento bruto.
Veja os gastos da TV com pagamento de músicas em 2009, segundo o Ecad:
Globo- R$ 12,3 milhões
SBT - R$ 8,7 milhões
Record - R$ 4,2 milhões
Band - R$ 17 mil
Sem repercussão
"Não há ainda grande repercussão no setor de entretenimento e comunicação quanto a esse PL porque ainda tem que tramitar por diversas comissões. Diante disso, pode ser que este projeto venha a ser apensado a um provável futuro projeto de lei a ser apresentado por iniciativa do Poder Executivo, que revisa integralmente a lei de direitos autorais e que está sob consulta pública", afirma o advogado Marcos Alberto Sant'anna Bitelli, da Bitelli Advogados, que é especializado em direitos autorais.
Para Bitelli, o PL 2.850 não traz grandes conquistas. "Nem para os autores nem para aqueles que vivem às turras com o modo abusivo, autoritário e extremamente controvertido com o que o Ecad trata tanto quem paga quanto quem recebe direitos autorais", diz. O advogado avalia que o conceito de levar os compositores a receber diretamente do escritório central, seja Ecad ou Cadda, é interessante. Mas ressalva: para que isso funcione, o Cadda deveria ser um monopólio de gestão coletiva, e não apenas de cobrança, como é a lei atual.
"Este projeto tem vícios que não fazem com que as pessoas realmente se preocupem ou se animem com ele. Não pode a lei determinar o nome e a sede de uma associação civil que depende de ser formada pelas sociedades de autor e pelos autores. De outro lado, não pode a lei também limitar os direitos dos autores de contratar nas bases que negociarem com seus editores, inclusive com restrições de prazo. Parece-nos uma invasão à liberdade de contratar de autores e editoras. Portanto, esse PL ainda tem muito chão pela frente", prevê Bitelli.
Bitelli acredita que o projeto de lei pode ser positivo, mas observa que "se recauchutado com regras mais plausíveis, o PL pode ser um bom começo para aprovar-se uma nova estrutura dos direitos de execução e comunicação ao público, corrigir seu rumo para dar ao escritório central transparência em relação aos direitos que arrecada e eficiência administrativa de um lado, e, de outro, compelir as sociedades que fazem parte do escritório central (seja ele qual for) a atuar com regras de proporcionalidade, razoabilidade e bilateralidade, com algum agente externo que pudesse arbitrar disputas entre titulares representados pelas sociedades e pagadores de direitos autorais de comunicação ao público, especialmente pelos veículos e agentes que não têm na música seu principal insumo, como por exemplo, as obras audiovisuais".
Música digital também recolhe
A internet e todas as suas modalidades de execução de música - streaming de rádio e TV, sonorização ambiental de sites, podcasting, webcasting, simulcasting e transmissões de eventos musicais por meio de sites ou de operadoras móveis - estão abrangidas pela Lei 9.610, de direitos autorais. Isso significa que as empresas que operam na rede mundial também devem recolher a contribuição ao Ecad. E o segmento não é nada desprezível: no ano passado, as vendas de música digital cresceram quase 160% e faturaram R$ 41,7 milhões, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD). Essas vendas incluem internet (58,7% do total) e celular (41,3%).
No mundo, a venda de música digital legalizada - e, portanto, protegida pelas leis de direitos autorais - chegou a US$ 4,2 bilhões. No Brasil, 2009 foi o primeiro ano em que as vendas feitas pela internet superaram as vendas por telefone móvel. Isso significa uma maior adesão a conteúdo legalizado e, sobretudo, passível de recolhimento das taxas, em oposição a conteúdos pirateados.
O Ecad anunciou recentemente que a Kboing Networks do Brasil, uma das maiores rádios web do País, firmou acordo pelo qual se compromete a fazer os recolhimentos devidos. Assim, o ambiente de streaming (radiodifusão pela internet) também passa a ser objeto de controle e fiscalização do Ecad.
Festas e casamentos na mira
O Ecad arrecadou R$ 374 milhões e repassou R$ 318 milhões em direitos autorais no ano passado. Conforme dados da própria entidade, o repasse registrou um crescimento de mais de 17% em relação a 2008, o que gerou benefícios a 81.250 titulares entre compositores, intérpretes, músicos, editores e produtores fonográficos. Desse total, 69% vieram da música brasileira e 31% de produção estrangeira. O Ecad registra que, entre 2000 e o ano passado, a distribuição de direitos autorais deu um salto de 278%.
Atualmente, o cadastro do Ecad tem quase 400 mil usuários de música, 1,750 milhão de obras musicais, 760 mil fonogramas, 62 mil obras audiovisuais e 245 mil titulares de música cadastrados. A instituição - formada e administrada por dez associações de música - abrange os mais diversos segmentos de música: da trilha sonora da novela à marcha nupcial que sonoriza os casamentos, todo e qualquer fonograma e música são objetos de arrecadação do Ecad (veja lista abaixo).
O cálculo do valor é complexo e depende do tipo de evento, da área utilizada, da região socioeconômica e do tipo de uso que se faz das músicas. Para as emissoras de TV, gira em torno de 2,5% sobre o faturamento das empresas. Para música em celular, também é de 2,5% sobre o faturamento com ringtones e truetones.
Todos os profissionais e empresas abaixo são obrigados a recolher contribuição ao ECAD:
- Promotores de eventos e audições públicas (shows em geral, circo etc.)
- Cinemas e similares
- Emissoras de radiodifusão (rádios e televisões de sinal aberto)
- Emissoras de televisão por assinatura
- Boates
- Clubes
- Lojas comerciais
- Micaretas
- Trios
- Desfiles de escolas de samba
- Estabelecimentos industriais
- Hotéis e motéis
- Supermercados
- Restaurantes, bares e botequins
- Shoppings centers
- Aeronaves, navios, trens e ônibus
- Salões de beleza
- Escritórios
- Consultórios e clínicas
- Pessoas físicas e jurídicas que oferecem músicas na internet
- Academias de ginástica
- Empresas prestadoras de serviços de espera telefônica
- Operadoras móveis (ringtones e truetones)

25 de maio de 2010

Encontro com os presidenciáveis na CNI

Bom,
Acabei de assistir na CNI (Confederação Nacional da Indústria) ao encontro com presidenciáveis.
O clamor da indústria é óbvio e legítimo vai ao encontro da desoneração da produção, não é possível se tornar uma economia global pensando local.
Infelizmente perdi o discurso do Serra, o qual acredito que tenha competência e até acredito que se saia vitorioso, pra falar a verdade até o momento até torço contra a candidata do PT.
Antes de assistir eu já tinha plena convicção de que a candidatura da Dilma é inconsistente, ela como candidata é inconsistente e parece que como gestora também é inconsistente. Já tive grande simpatia pelo PT, ainda nutro grande simpatia pelo presidente Lula, mas de fato o PT não se preparou para esse momento, muito pelo contrário, os quadros do partido fizeram grandes lambanças e de fato acharam não que estavam acima da lei, mas que eles eram a lei.
Como disse não pude assistir ao Serra, mas não nego que estou cansado das mesmas coisas, dos mesmos discursos, do apontamento dos mesmos erros e etc. Serra talvez seja o melhor gestor dos três, embora lhe falte carisma, e pesquisas apontam que é a simpatia que define o voto.
Pra minha sorte consegui voltar a tempo de ouvir a Marina, aliás quem puder leia a matéria que a Época fez essa semana com ela, se ler, não esqueça de ler a matéria sobre os impostos brasileiros, um raio-X muito interessante levantado pela revista. Mas, não tô aqui pra defender bandeiras, porém, de fato ainda não temos as bases dos planos de cada um, na verdade nem acredito que a Dilma tenha um, mas, Marina é com certeza o trigo nesse campo de joio. Talvez seja ela o divisor de águas, competente, ética, honesta (tão honesta que teve que sair do PT), pelo menos é assim que tem se apresentado.
E se o programa da CNI era pra debater o Brasil dos próximos 20, 30 anos, não há dúvida que se não pensarmos em sustentabilidade estaremos avessos à história futura, estaremos indo ao encontro do insucesso.
O País é grande, é grande porque é feito de grandes homens e mulheres, de grandes empreendedores, como até o vice de Marina, e tantos outros que estavam nesse auditório. Mas o País só se mantera grande se pensarmos grande, se olharmos ao redor e se tivermos coragem de mudar agora, para que nossos descendentes possam desfrutar de um País mais justo e de um mundo melhor.
Ainda não defini meu voto, porém, a partir do princípio colocado por Marina, que, no 1º turno a gente vota com o coração, em que acredita e no 2º turno a gente foge do pior, não preciso ir muito longe para debruçar meu voto na candidata do PV.

Pablo Souza
www.cultcomunicacao.com.br

24 de abril de 2010

Mulheres, cuidem-se!

Nem vou me alongar nesse post, vocês verão o vídeo e entenderão o porque está ocupando as minhas mal traçadas linhas esse assunto: saúde feminina.
Nem sou exemplo de cuidados com a saúde, mas prometo me tornar mais prudente. As cobranças dessa vida contemporânea e moderna tem causado males irreparáveis a sociedade, e parece que as mulheres são as maiores vítimas.
Como comunicólogo acredito que a comunicação tem uma função, uma missão e ao ver matérias como essas fico feliz em saber que tem gente fazendo a coisa certa.
Trata-se de uma matéria da revista época que fiz questão de ler e assistir ao vídeo, e, gostaria que todos e todas investissem alguns minutos nessa leitura.
Segue o link para a matéria completa, e abaixo o vídeo.





Pablo Souza

17 de abril de 2010

Depois da opção de Campinas a decepção de São Paulo.

Voltando de Campinas, resolvemos para numa churrascaria que já foi quase parada obrigatória quando passávamos na Av. Tancredo Neves, quantas vezes não conseguíamos entrar em face a multidão que jantava ou aguardava lugar. Churrascaria com buffet de massas também e muita qualidade nas carnes, no atendimento e etc.
Pois é, há algum tempo que percebo a queda de qualidade, e ontem, foi a última vez que resolvi comer lá.
O atendimento que era 8 ou 9 no auge ontem foi menos 1, um dos garçons quando a pessoa que me acompanhava aceitou uma picanha especial que aparecia mais um pedaço de alcatra, jogou a carne no prato, sem brincadeira arremessou, sem fala a cara de poucos amigos do cidadão.
A casa está suja, visivelmente você percebe, e para comprovar a pessoa que estava comigo resolveu pegar um sushi, e pra surpresa tinha ingredientes vivos, ao chamar o responsável com muita simplicidade ele disse, a tá, é um mosquitinho. Normal né? Talvez se estivéssemos na china sim.
O fato é que tive a nítida impressão de que aquele estabelecimento está com os dias contados, preparado para baixar as portas. Saudades de quando era casado e ficava esperando lugar naquele restaurante, faz tempo.

Abaixo o endereço para que você passe longe:
Churrascaria Tancredo (antigo Grill 2000) - Av. Pres. Tancredo Neves, 1970 - Ipiranga.

Pablo Souza

24 de março de 2010

Ótima matéria com o criador do Estante Virtual


A cultura dos sebos
Criador do portal Estante Virtual, diz que os alfarrábios superaram as livrarias como estimuladores de leitura no Brasil e viraram reserva cultural da memória literária brasileira.
Luiz Costa Pereira Junior (Folha)

O administrador André Garcia tinha 26 anos quando abandonou uma promissora carreira na área de inteligência de mercado em operadoras de celular, no Rio. Estava farto do mundo corporativo. Na dúvida do rumo a seguir, buscou a vida acadêmica. Mas, ao procurar livros para um mestrado, notou uma lacuna no mercado que mudaria sua trajetória.
Garcia não achava os títulos que queria em bibliotecas e livrarias, perdia-se nos sebos e na falta de oferta de usados na internet. Veio então o estalo. Em um ano, lançou o Estante Virtual, portal de compra de livros usados, que completa quatro anos com 1.670 sebos, com 22 milhões de obras reunidas.
Aos 31 anos, Garcia comanda um negócio que vende 5 mil livros diários, em 300 mil buscas (12 buscas por segundo em horário de pico). Para ele, os sebos devem ser valorizados como agentes de democratização da leitura. "Ela tem de estimular a imaginação e a reflexão.
Qualquer leitura não é leitura", diz com a autoridade conquistada pelo sucesso da iniciativa inédita de intermediação. Garcia diz ser um erro achar que só à escola cabe estimular a leitura. É desafio do país, afirma, fazê-la vista como prazer. O Estante Virtual quer provar que até uma iniciativa de negócio pode fazer a sua parte.

O brasileiro não gosta de ler ou não compra livros por achar muito caro?
Os dois. Há muita gente que poderia gostar e não gosta, mas há ainda mais gente disponível à leitura se o livro fosse barato. Para quem não gosta de ler, há a razão educacional: a escola ensina a não gostar, usa uma metodologia que tem êxito inverso. Temos uma base pedagógica em que ler é obrigatório e a biblioteca é vista como lugar de castigo. Mas leitura é subjetividade, é ver o que agrada à sensibilidade e se ajusta à sua forma de ser, ao seu momento. A escola nunca me deu esse espaço e duvido que, salvo exceção, garanta isso a muito aluno. Para os que driblam a escola e aprendem a gostar de ler, há um preço alto a ser encarado. Se você considerar só a lista dos dez mais vendidos, a média é de R$ 43 o exemplar. Lê esses livros quem tem mais recurso.

Muitos acham que best-seller estimula a leitura.
Tudo bem, o cara lê 800 páginas de Harry Potter. Mas esse tipo de livro leva mesmo a outra leitura que não seja a mais coisa parecida com Harry Potter? Outro dia, um membro da Câmara Brasileira do Livro disse num evento que se o brasileiro ler bula de remédio, ou revista de fofoca, já está ótimo. Na minha opinião, isso é só tecnicamente leitura. A leitura tem de estimular a imaginação e a reflexão. Qualquer leitura não é leitura.

O livro pode virar fator de exclusão social?
Sem estímulo à escolha, sim. Há essa segmentação, em que uma minoria de livros é bem mais apresentada que todo o resto. A leitura termina aberta a um universo restrito de não mais que uns vinte livros. Uma derrota para a cultura. As pessoas leem só isso? O.K., melhor que não ler. Mas é um quadro de pauperização preocupante. Não basta democratizar a leitura. É preciso democratizar os autores de qualidade.

Daí o papel dos sebos...
Drummond tem uma crônica, O Sebo, em que diz que o sebo é o verdadeiro templo da democracia literária. As livrarias se concentram nos 20% de produtos responsáveis por 80% das vendas. Fazem isso não porque são "malvadas", mas por não haver espaço para tudo. Não há como dar vazão a 1.500 títulos novos todo mês, 52 por dia, fora as reedições. Já o sebo virou uma reserva cultural. Nele, há os de agora, os de antes, os fora de catálogo. Estamos falando da história editorial do país, não só dos livros do momento.

Muitos evitam sebos pela poeira e desordem, não é?
Quem vê o sebo como o lugar de obras raras ou esgotadas deixa de usufruir o que ele tem a oferecer, pois trabalha com livro novo, seminovo ou em edição. À medida que as livrarias priorizaram os mais vendidos, os sebos viram que a demanda por eles cresceu. Boa parte se modernizou, está organizada. Os sebos com bagunça, obras empilhadas, empoeiradas, hoje são minoria.

Mas esse "preconceito" não impediu o avanço...
Se livro não fosse tão caro, sebos não teriam o papel que têm no Brasil. Em Portugal, os alfarrábios são só para obras raras e esgotadas, mesmo. Não se vai a um sebo português para comprar um novo Lobo Antunes ou Saramago, pois a loja não terá. Terá o exemplar raro, o autografado, a edição há muito esgotada. Aqui não, o sebo tem tudo, e o que a livraria de novos não tem mais, pois se concentrou nos mais vendidos e nos lançamentos recentes.

Qual o tamanho real desse mercado?
O Brasil tem hoje 1.800 livrarias em meio a 2.300 pontos de venda de livros. A estimativa de sebos é de 2 mil pontos de livros usados no país, 1.670 dos quais estão no Estante Virtual. Deste número, metade é de lojas de rua e a outra metade, de virtuais.

Quem toca esses virtuais?
Em geral, ex-professores, intelectuais aposentados, com muitos livros em casa, que ampliam o acervo e vendem. A gênese desse mercado ocorreu conosco. Antes, ia-se ao Mercado Livre ou montavam um blog, mas sem movimentação, pois ficavam perdidos na rede.
E aí surgiu o Estante.
Atuava na área de inteligência em operadoras de celular, mapeando mercados, mas cansei da hipercompetição, dos valores focados em maximizar lucros, das relações pessoais pouco saudáveis nas empresas e de brigar com concorrentes por um produto que era, de fato, igual ao deles. Chutei o balde, queria virar professor e me preparei para um mestrado em Psicologia Social na PUC-SP. Procurei livros para estudar quando veio o estalo.
Criar o lugar dos sebos...
Eu ia a bibliotecas e livrarias, e não achava o que queria. Nos sebos, vi uma forma de busca elementar. Olhava as lombadas, umas com as letras subindo; outras, descendo; mesmo com paciência, não achava. Vi, então, que o sebo era mais um lugar para deixar o livro encontrar você do que encontrar o livro que de antemão se deseja. É lugar de garimpagem, não busca. Fui à internet e só achei uns seis sites de sebos. Todos caros. Aquilo me chamou a atenção. Pelo desperdício de um acervo inalcançável - o cliente não conseguia uma mera busca. Eu me perguntei porque só uma elite de sebos estava na rede. Mas sabia a resposta: montar um site com acervo e sistema de busca não é barato, uns R$ 5 mil à época. Minha ideia era resolver a procura e criar uma vitrine para sebos sem visibilidade.

O início foi difícil?
No um ano que levou para preparar o site, mapeei o mercado. No final de 2005, quando lancei o Estante, contávamos com 68 sebos. Hoje temos 600 mil clientes a quem vendemos 5 mil livros ao dia. É mais do que as lojas de rua da Travessa, rede tradicional do Rio, ou do serviço on-line da Cultura, de São Paulo. Não vendemos o livro diretamente, fazemos a intermediação entre o livreiro e o comprador. A cada mil livros on-line, cada sebo fatura em média R$ 600 mensais.
Que livro é procurado?
Literatura estrangeira e brasileira, uns 20% e uns 15% da procura cada, o resto é pulverizado. O livro mais vendido é Vidas Secas, do Graciliano Ramos, que não chega a 900 cópias vendidos. É pouco, claro. No Estante, a venda é pulverizada, não há a discrepância das livrarias, em que um livro dispara milhares de cópias e o 50º mais vendido não passa de dezenas de exemplares. Nos sebos, não. O consumo é bem mais equilibrado. Considero isso uma vitória deles, que têm acervos diversificados e servem a todo gosto, não a um ou outro autor, editora ou tipo de leitura.

Tecnologias como kindle tornarão o sebo obsoleto?
Se livro impresso é caro, imagine depender de um intermediário de leitura que custa bem mais. Sebos atuam em nicho inverso, o de pessoas que querem uma leitura mais barata.

Para além da venda, a internet estimula a leitura?
Autores que não conseguem editora escoam sua produção em blogs. Nessa hora, a internet ajuda a ler e a criar. Mas o gênero mais lido da rede é o jornalístico, leitura informacional, utilitária, não uma ordem de leitura, digamos, mais preciosa. A internet atrapalha, de fato, quando a ênfase da leitura é nos simulacros de interação, como orkut, MSN, Twitter. Eu me pergunto se essas são reais formas de interação, se as comunidades interagem como comunidade. No Orkut, são muito usadas como decalque para a pessoa inserir em seu perfil. Não há convivência genuína.

Não é julgamento severo?
Não podemos apenas rejeitar essa interação, mas não se deve só endossá-la. Pois podemos virar a civilização dos simulacros de interação e dos protótipos de leitura. A escola precisa mostrar que ler dá prazer e nem tudo é interação genuína. Dizem que, como os tempos são dinâmicos, as pessoas não param para ler, daí ser preciso coisas mais dinâmicas, com jogos e tal. É desistir cedo demais. É preciso opor alguma resistência a essa temporalidade imediata.

O problema é a educação.
Não é só a educação. Há um grau de precarização da vida contemporânea, da mente ocupada o tempo inteiro, o dia todo tomado, sem tantas zonas de pausa, tudo se junta para o sujeito chegar em casa e não ter energia para ler. Exercitar a imaginação dá trabalho. O sistema de vida que levamos não facilita. A leitura está condicionada a fatores que talvez não consigamos de fato mudar. Não será só a escola a ser obstáculo, mas mudá-la é um começo.

Como estimular a leitura, nesse contexto?
De cara, a escolha do que ler, o processo da leitura, deve dizer algo ao leitor. Damos um sinal errado ao aluno ou filho quando o fazemos ler só para fazer prova. Quando perguntamos o que o personagem falou ou fez, só para saber se houve leitura por parte do garoto. Ler não é isso. Tem de haver prazer envolvido. Devemos nos opor a certos dogmas intelectuais, de que os clássicos devem ser venerados sem restrições, os livros precisam ser lidos até o final etc. Por mim, começaria as primeiras séries proibindo provas sobre não didáticos. Se o garoto não ler, pior pra ele. Mas não se deve puni-lo. Senão, começa a odiar. A ver o tempo na biblioteca como castigo. Isso não forma leitores, só os afasta.

Há também uma matéria de revista Trip, confira

Pablo Souza

23 de março de 2010

Uniesquina (MEC suspende cursos da Uniban)

Quando o grande filósofo Mario Sérgio Cortella se refere a uniesquina deve estar falando disso né? A "miojização" do ensino:

MEC suspende cursos da Uniban
Órgão vê irregularidade nos cursos integrados. Universidade diz estar ‘tranquila’
ISIS BRUM, isis.brum@grupoestado.com.br

A Secretaria de Ensino Superior (Sesu), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC), determinou ontem que a Uniban suspenda a oferta dos “cursos integrados”, que unem sequencial (com formação específica), graduação e pós-graduação. A secretaria considerou irregular o modelo de ensino adotado pela universidade em 2010, que prevê, em média, dois a três anos de curso sequenciado (com oferta de certificados e diplomação superior), diploma de graduação para os que concluírem a formação regular (bacharel ou licenciatura) e o título de especialização ainda no último ano de estudo da graduação para os que cursarem a pós lato sensu.
Em nota, a Uniban informou que está “absolutamente tranquila em relação à legalidade de seus cursos”. O caso foi relatado à Sesu em reportagem publicada pelo Jornal da Tarde no dia 14 de março com o título “Meio diploma: ilusão na faculdade”.
De acordo com o despacho da pasta, publicado ontem no Diário Oficial da União, há “desvirtuamento das normas da educação superior, no que se refere à oferta de cursos sequenciais, e ao seu aproveitamento para a realização de cursos de graduação e de pós-graduação”.
Os alunos que já ingressaram por esse modelo deverão cumprir os conteúdos e as cargas horárias de um dos níveis de formação superior. Como a escolha foi pela graduação, terão de cumprir a carga horária mínima de 2.400 horas e não terão direito à diplomação superior ou a cursar a especialização antes de se formarem.

O prazo para que a Uniban se ajuste aos termos do despacho termina no dia 30 de abril. Caso não cumpra as exigências, a Sesu determinará a abertura de um processo contra a entidade, que poderá terminar em descredenciamento. De acordo com o censo universitário, a instituição é a 5ª maior do País em número de matrículas, com 55.674 registradas em 2008.
A universidade afirmou em nota que irá responder aos questionamentos processuais e pedagógicos da Sesu no prazo legal.

Medidas de saneamento
Além de acabar com os cursos integrados, a Sesu determinou que a Uniban revise os conteúdos curriculares e a carga horária de cada um dos cursos integrados - que são a maioria entre os 76 disponíveis, como a própria universidade anuncia em sua página na internet. Ainda exigiu que o processo seletivo seja desmembrado entre sequencial, graduação e pós.
A universidade terá de divulgar de forma detalhada o tipo de curso que oferece, a titulação que cada um dá direito, a matriz curricular e a carga horária de cada um. A Sesu pediu um cadastro atualizado de todos os cursos da Uniban.
Os ofícios do processo contra a instituição serão enviados para a Procuradoria da República em São Paulo, para o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça e para a Secretaria de Educação Tecnológica para que cada órgão estude a adoção de medidas em suas respectivas instâncias.

Os sistemas
Gradução
Forma bacharel, licenciatura e tecnólogo com carga horária mínima de 2.400 horas;
Gradua para uma profissão;
Pode cursar pós lato sensu (especialização), mestrado e doutorado.
Diplomação superior
Sequencial de formação específica com carga mínima de 1.600 horas; certifica para uma função;
Pode cursar somente a pós lato sensu, mas não mestrado e doutorado

Pablo Souza

Capital paulista ganha mais cinco radares


Aparelhos com leitor de placa foram instalados na Rua Teodoro Sampaio e nas Avenidas Cidade Jardim e 9 de Julho
Cinco novos radares equipados com leitor automático de placas (LAP) foram instalados no sábado passado nas Avenidas Cidade Jardim e 9 de Julho, na zona sul, e na Rua Teodoro Sampaio, zona oeste. Além de fiscalizar velocidade, eles são capazes de detectar pendências de documentação e desrespeito ao rodízio.
Na Teodoro Sampaio, dois radares foram instalados na altura dos números 2.895 e 1.316, ambos no sentido centro. Na Avenida 9 de Julho, os dois novos equipamentos estão na altura do 3.117. A Avenida Cidade Jardim ganhou um radar na altura do 655, no sentido centro.

De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), desde sábado passado, os equipamentos podem multar os infratores, pois estão homologados pelo Instituto de Pesos e Medidas (Ipem).
Hoje, São Paulo conta com 452 radares - 119 com o sistema LAP. Juntos, eles aplicaram metade das 6 milhões de multas registradas no ano passado. Em 2009, o Município registrou o recorde de R$ 473 milhões na arrecadação com multas de trânsito.
Monotrilho. Pela segunda vez em três meses a licitação internacional para escolher a empresa que construirá o monotrilho entre Vila Prudente e Cidade Tiradentes, no extremo da zona leste, com 23, 8 km, foi suspensa.

Ontem, a sessão pública que daria prosseguimento à concorrência foi interrompida até que o Metrô analise recursos de dois consórcios desabilitados.
Na semana passada foram conhecidos os dois consórcios habilitados: Expresso Monotrilho Leste (Bombardier Brasil e Bombardier Transport, Queiroz Galvão e OAS) e o Prolongamento Linha 2-Verde (Andrade Gutierrez, CR Almeida e a Scomi). Os dois desclassificados - Monotrilho Tiradentes (Camargo Correa, Hitachi, Mitsubishi, e Odebrecht) e Metropolitano (Delta, EIT e Intamin) - contestaram o processo. O projeto tem custo em cerca de R$ 2,8 bilhões.

Localização
Rua Teodoro Sampaio, altura do 2.895 e 1.316, sentido centro
Avenida 9 de Julho, dois radares na altura do 3.117, na faixa de ônibus, sentido centro
Avenida Cidade Jardim, próximo do 655, no sentido centro
Fonte: Estadão

Pablo Souza

24 de janeiro de 2010

Quer estudar?

Reunião em 2009 juntou cerca de 40 mil pessoas em São Paulo. A presença no evento ajuda a garantir descontos na faculdade

Quando entrei em um galpão do bairro da Lapa, em São Paulo, às 10 horas da manhã de uma quarta-feira, nada na fachada azul do prédio permitiria antever a mudança de status social que sofreria em poucos minutos. Eu, jornalista, nascida em São Paulo, sem aspiração de vida no campo ou engajamento na reforma agrária, precisei de apenas uma foto 3x4 e R$ 1para me transformar em sem-terra de carteirinha. Encontrei quase 50 jovens na sede da Associação dos Trabalhadores Sem Terra de São Paulo (ATST). Um deles desembarcara de um automóvel Audi. Todos queriam tirar a carteirinha da associação, passaporte para ingressar em cursos de graduação oferecidos por faculdades privadas paulistas com descontos de até 65%.

Sem alarde, a associação instalou nos bancos universitários 70 mil jovens, o equivalente a 12% do total de beneficiados pelo ProUni, o programa do governo federal de distribuição de bolsas em faculdades. A quantidade de universitários sem-terra seria o bastante para ocupar todas as vagas da Universidade de São Paulo (USP), a maior instituição de ensino público do Brasil. Apesar de usar em seu nome a expressão “sem-terra”, a ATST surgiu há 23 anos como um movimento de moradia urbano. Logo após a fundação, dissociou-se do PT, que influencia a maioria das entidades do gênero. Por trás de sua engrenagem estão instituições de ensino, uma ala conservadora da Igreja Católica e o deputado estadual Marcos Zerbini (PSDB-SP), que criou e dirige a associação. No meio político, o grupo ganhou a alcunha de “MST tucano”.

Meu percurso até a realização do recorrente sonho de entrar na faculdade levou alguns meses. Transformada em sem-terra, precisei frequentar oito reuniões semanais com dirigentes da associação para conhecer as regras da entidade. A associação impõe disciplina espartana: não se admitem faltas ou atrasos, não é permitido usar o celular, levar acompanhantes ou ir ao banheiro, que fica trancado durante as reuniões. As sessões são iniciadas com orações. Primeiro um pai-nosso, depois uma ave-maria. Em seguida, instruções mais mundanas. Fui informada de que só conseguiria o desconto na faculdade se marcasse presença em nove dos 12 encontros mensais da associação. Além disso teria de pagar a taxa de associado, R$ 84, em três parcelas de R$ 28. Somente depois de pagar a primeira parcela pude prestar o vestibular que me daria acesso a um curso de graduação com desconto. No campus da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), respondi a 20 questões de múltipla escolha e escrevi uma redação. Fui aprovada e me matriculei no curso de Direito. Como “sem-terra”, paguei uma mensalidade de R$ 281,22, valor 65% menor do que um estudante sem vínculo com o “MST tucano” paga pelo mesmo curso.

O convênio entre as faculdades e a ATST existe há seis anos. Pelo menos 20 instituições de ensino de São Paulo fazem ou já fizeram parceria com os “sem-terra”. Elas dizem que oferecem seus cursos a valores acima do preço de custo, mas com margem de lucro reduzida. “O que Marcos Zerbini faz é corretagem de aluno”, diz um reitor participante do convênio. “O volume de estudantes da associação é tão grande que as faculdades aceitam negociar condições especiais.” Funcionários das faculdades afirmam que descontos dessa magnitude são inatingíveis para quem não se matricula como sem-terra. “É um bom negócio para as universidades porque elas têm vagas ociosas e nossos alunos ajudam a ocupá-las”, diz Zerbini. De acordo com o Censo de Educação Superior de 2008, há no Brasil 1,4 milhão de carteiras universitárias não preenchidas. Além de aumentar sua clientela (“80% dos nossos alunos vêm da associação”, disse um dos funcionários da UMC enquanto eu fazia a matrícula), muitas faculdades têm pleiteado isenções fiscais com a justificativa de que prestam serviço social ao oferecer bolsas de estudos para sem-terra. O movimento dos sem-faculdade é a maior fonte de dinheiro da associação, registrada na Receita Federal como uma instituição sem fins lucrativos. Se cada um dos 70 mil universitários pagasse suas taxas de associado, a associação arrecadaria R$ 6 milhões por ano. Segundo Zerbini, a inadimplência faz a arrecadação cair para R$ 3 milhões anuais.

Desde 1986, a associação já ajudou 17.500 famílias a comprar terrenos para construir casa. São cerca de 100 mil pessoas instaladas em 26 áreas na região metropolitana de São Paulo.

Em vez de invadir áreas, o movimento compra grandes terrenos, divide em lotes de 80 metros quadrados e os revende aos associados. Cada comprador deve construir a casa em que vai morar com recursos próprios. Não há padrão predefinido para as obras. Esse modelo é questionado pelo Ministério Público de São Paulo. Mais de 15 anos depois de construir suas casas, a maior parte dos assentados nunca conseguiu regularizar a situação do imóvel. “Eu e meus vizinhos não temos escritura. Fomos nós que colocamos asfalto aqui, os postes de energia, a placa da rua”, diz Valdemir Teixeira Lima, morador de uma das áreas criadas pela associação, no Jaraguá, em São Paulo. Os associados dizem que tão logo as áreas eram compradas, o povo se instalava, sem esperar pelas autorizações legais. “Não se fazia nem um trabalho de terraplenagem. Em alguns lugares, houve desmoronamentos. E não se podia cobrar nada da prefeitura porque as ocupações eram irregulares”, diz um arquiteto que trabalhou para a associação. A ATST foi processada pelo MP por ter criado loteamentos clandestinos. Acabou fazendo acordos para regularizar a situação. Em 2004, o MP investigou também a denúncia de que a associação assentava a população na reserva ambiental do Parque Estadual do Jaraguá. Embora registre que árvores foram indevidamente cortadas e que a área não poderia ser transformada em bairro, o processo foi arquivado.

A parceria da associação com as faculdades surgiu em um momento em que a fiscalização sobre a ocupação de terras na periferia de São Paulo se intensificou e novas áreas vazias se tornaram mais raras. O deputado Marcos Zerbini diz ter sido procurado em 2004 por um grupo de jovens interessado em cursar o ensino superior. “Como não havia jeito de criarmos nossa própria universidade, fui negociar descontos com as faculdades”, diz. De acordo com ele, como a empreitada foi bem-sucedida, no semestre seguinte uma enxurrada de vestibulandos invadiu a sede da associação. Zerbini diz ter sido impelido a criar uma estrutura robusta para dar conta da demanda. “Desde que conheci o Zerbini, há quase 20 anos, procuro pela cidade um outro organizador social como ele e nunca encontrei”, afirma Alberto Goldman, vice-governador de São Paulo. “Na década de 1990 ele conseguia fazer mais habitação do que qualquer órgão do Estado. Agora parece ir no mesmo rumo com as faculdades.”
Veja mais no site da Revista Época.
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Pablo Souza
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6 de janeiro de 2010

Somos todos iguais.

É assim que inicio esse serviço de utilidade pública, sim, somos todos iguais.
Os acontecimentos do último final de ano nos mostram isso, tanto faz o que temos e até o que somos, a fatalidade não escolhe que religião você segue, a cor da sua pele, de onde você vem e quanto você tem.
Angra dos Reis, São Luis do Paraitinga, Cunha e até São Paulo, todas castigadas pelas fortes chuvas.
Sendo assim gostaria de deixar aqui algumas possibilidades de ajuda às vítimas:
Gisele Jordão (3d3 Comunicação)
11-5549-1544
gisele@3d3.com.br
Colchões e produtos de limpeza são muito bem vindos.
Angra dos Reis
Local: as doações devem ser feitas no Colégio Estadual Artur Vargas (Ceav), rua Coronel Carvalho, nº 232.
Horário: o posto de arrecadação fica aberto das 9h às 21h
Telefone: (24) 3367-8107 - equipe que coordena a campanha de doações
Banco: a prefeitura de Angra também abriu uma conta bancária para doações. Os interessados que quiserem ajudar podem fazer depósitos no Banco do Brasil, na agência 0460-x e C/C nº 74500-6, em nome de prefeitura de Angra - Calamidade Pública. São aceitas doações de qualquer valor.

A escola Conexão Mergulho & Aventura, com sede no ABC Paulista, na capital paulista e no Rio de Janeiro, está arrecadando alimentos não-perecíveis, velas, isqueiros, produtos purificadores de água, fraldas descartáveis, toalhas de banho, colchonetes, leite em pó, mamadeira, chupeta e roupas infantis. A ação faz parte de uma rede de solidariedade composta por mergulhadores e escolas de todo o País, acostumadas a frequentar pontos da ilha apropriados para a prática do mergulho, e que foram afetados pela tragédia.

Locais:
São Bernardo do Campo - ABC Paulista
Conexão Mergulho e Aventura
Rua Amparo 368, loja 2

São Paulo
Rua Itapiru 511, Saúde

Ribeirao Preto
Waterland Dive
Rua Jaqueira 65, Jardim Recreio, Telefone (16) 3636-0890

Rio de Janeiro
Rua General Barbosa Lima 83, Copacabana, Telefone: (21) 2235-2456

Vale do Paraíba
São Luiz do Paraitinga
Moradores de cidades próximas a São Luiz do Paraitinga formaram uma rede de solidariedade para ajudar as famílias prejudicadas pela enchente na cidade. A Defesa Civil e Corpo de Bombeiros de São Luiz solicitam doações de água, alimentos não perecíveis, recipientes para marmitex, velas, fósforos, pilhas e lanternas, além de combustível. No caso do combustível, são recomendados tambores de 20 litros para facilitar o trabalho dos envolvidos na operação de resgate e auxílio aos desabrigados.
Local: as doações podem ser enviadas para o ponto de coleta da Igreja São Benedito. A Defesa Civil está instalada na rua Celestino Campos Coelho.

Quem mora em São Paulo (SP) também pode ajudar os moradores de São Luiz do Paraitinga. Mantimentos, material de limpeza, utensílios domésticos e roupas podem ser entregues na avenida Paulista, 2.220 - 14º andar, em frente ao Metrô Consolação. Segundo os organizadores da campanha, com sede na capital paulista, roupas e alimentos são fundamentais, mas também são importantes doações de produtos de higiene pessoal, como sabonetes, e colchões.

Pindamonhangaba
A Defesa Civil do município está priorizando o recolhimento de água potável.
Local: quem puder colaborar deve comparecer à sede do órgão, que fica nas dependências do Departamento de Serviços Municipais (DSM) da Prefeitura de Pinda, na rua Monteiro de Godoy, bairro do Crispim, durante o horário de expediente.
Telefone: (12) 3643-1084.

A empresa de transporte coletivo Viva Pinda organizou o recebimento de roupas e cobertores, que podem ser encaminhados para o escritório da empresa, na praça Central Barão Homem de Melo (em frente à escola Doutor Alfredo Pujol e a Galeria Barão).

A Ordem dos Advogados do Brasil OAB) de Pindamongangaba também recebe doações de alimentos, roupas, colchões, leite em pó, medicamentos de uso comum e galões de água.

Taubaté
Foi montado um posto de arrecadação na sede da Polícia Civil, localizada à rua JK, 2060, próximo à Via Dutra.
Telefones: 147, para quem está na cidade, ou o (12) 3633-4544, para outros municípios. Há ainda o celular (12) 8119-5612, funcionando como plantão.

O Sesi de Taubaté também está recebendo doações, que podem ser feitas de segunda a sexta-feira até as 20h30.
Local: avenida Voluntário Benedito Sérgio, 710, na Estiva. O telefone é (12)3633-4699.

São José dos Campos
As doações no município podem ser feitas no Comando de Policiamento do Interior (VPI-1).
Telefone: (12) 3922-9666

Tenha um ótimo dia e seja feliz.

Pablo Souza
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