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21 de fevereiro de 2010

Palhaço e Palhaço - Compasso e Descompasso


“...chora palhaço da sua tristeza, sorrindo como se a alma estivesse em festa.
Chora palhaço da sua tristeza quando o mundo e as coisas que te cercam dizem NÃO.
Chora palhaço da troça da sua imagem, das suas pinturas e caricaturas.
Chora palhaço por trazer alegria e sorriso ao sorriso e alegria das pessoas, e ter como pagamento a satisfação e a felicidade, ou simplesmente um sorriso.
Chora palhaço da situação que te cerca, das noites não dormidas, pela esperança de um agrado, do sonho de uma alegria continuada e sincera.
Chora palhaço, homem do peito de aço, que da alegria faz o compasso, mesmo que tua alma esteja no descompasso de uma grande tristeza.
Chora palhaço, do seu coração que não trai, não engana, que espera um doce sorriso, uma mão que afague seu semblante, sua cabeça, suas costas e pernas cansadas de tanto se apresentar no picadeiro da fantasia.
Chora palhaço que se enternece quando recebe um sorriso e um muito obrigado, mesmo de alguém que nunca viu.
Chora palhaço das suas mascaras que sorriem quando queriam chorar, que enternecem quando queriam esmorecer, que agitam quando queriam descansar.
Chora palhaço do seu próprio sorriso triste...Chora até descobrir a verdade de tua alma...
A verdade que diz:
Sorria palhaço pois aqueles que tem na alma uma criança, sorriem de verdade para você.
Sorria palhaço, pois a alegria e felicidade que trás são dádivas reconhecidas pelo próprio Deus.
Sorria palhaço pois aqueles que não te enxergam e da tua felicidade reconhecem pouco, da vida nada tem na pobreza de seus espíritos.
Sorria palhaço pois não merece alegria vazia e sorrisos falsos, mediocridade e engano , pois és autentico no coração e na alma.
Sorria palhaço pois seus valores estão acima dos espíritos pobres que não conseguem viver a felicidade que transmite sem nada pedir, a não ser um sorriso, um gesto de felicidade, um afago.
Sorria palhaço pois a tua alma é tão grande, tão linda e limpa, que suas dores desaparecerão das suas costas e serás contemplado com o carinho sincero e eterno de um AMOR sem fim.........
Sorria palhaço pois ao arrancares a mascara da face, revelarás a própria felicidade, linda e infinita, pois tens estampado no seu intimo a alegria do próprio Deus e o Amor de Jesus........
Sorria palhaço pois o que transmite é simplesmente DIVINO.
Sorria palhaço o sorriso de sorrir, o riso que debocha descarado da própria tristeza, e de tudo que não reconhece você.........
Sorria palhaço pois é o remédio das almas tristes e solitárias.
Sorria palhaço pois é palhaço para fazer sorrir, e incomodar os pobres de espírito.
Sorria palhaço pois é um artista da vida, que ao tirares a fantasia se retira do picadeiro, pois sabes quando termina o espetáculo para representação, e quando continua o espetáculo da vida.
Sorria palhaço dos verdadeiros palhaços, que sorriem ao pensar que te ofendem achando que és palhaço ou chamando de palhaço.
Sorria palhaço pois consegue ver e estar bem longe daqueles palhaços cuja vida infeliz, no contraditório daquilo que transmite, ou seja felicidade, se estenderá, infelizmente, por um picadeiro sem fim, onde ignorando e ignorância jamais saberão que estarão imersos no circo da vida, onde ao invés de receberem o sorriso de paz e felicidade, se contentarão na sua falta de saber, ao receber a falsa alegria e o falso sorriso do escárnio e do pouco caso, pela frente ou pelas costas, da platéia que os assisti, e que pensam estar agradando com o seu triste e mórbido espetáculo........
Sorria palhaço pois sabes onde esta a hipocrisia palhaça, nas promessas vazias dos políticos, nos amores falsos, no romantismo de atos e palavras escassos, na pobreza de espírito, na mentira, na falta de caráter, na tendenciosidade maldosa, na infidelidade, enfim naquilo que mancha a alma e a consciência, naquilo que torna o ser humano pequeno e insignificante, naquilo que se quer merece qualquer comentário, pois a simples citação empobrece e aporcalha qualquer exteriorização da alma, portanto da própria arte.
Sorria palhaço ao afastar o infortúnio e a mediocridade.
Sorria palhaço para aqueles que acreditam e recebem a luz detonando a ignorância.
Sorria palhaço por aqueles que arquitetou dando risadas e brincando, representando a arte da felicidade.
Sorria palhaço por aqueles que sorrindo e inebriados com os olhos cheios de lagrimas reconhecerão e reconhecem muito mais que o artista palhaço.
Sorria palhaço pois tua alma de criança assistirá calma, limpa e serena pelo resultado das coisas onde tanto investiu seu amor.
Sorria palhaço, do mundo sem compasso, que na arte do descompasso afastou a tristeza do espaço, e neste mesmo vazio do espaço encheu em cada passo seu conteúdo de AMOR...
Cláudio Rizzo

Pablo Souza

13 de fevereiro de 2010

Ele é genial, simplesmente.


“Mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutaias, majestoso manicômio. Meu monólogo mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres, miscigenação, morticínio – maior maldade mundial.

Madrugada, matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna. Monta matungo malhado munindo machado, martelo, mochila murcha, margeia mata maior. Manhãzinha, move moinho, moendo macaxeira, mandioca. Meio-dia mata marreco, manjar melhorzinho. Meia-noite, mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento maravilha, motivação mútua, mas monocórdia mesmice. Muitos migram, macilentos, maltrapilhos. Morarão modestamente, malocas metropolitanas, mocambos miseráveis. Menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo. Metade morre.

Mundo maligno, misturando mendigos maltratados, menores metralhados, militares mandões, meretrizes, marafonas, mocinhas, meras meninas, mariposas mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas. Mundo medíocre. Milionários montam mansões magníficas: melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, Mercedes, motorista, mãos… Magnatas manobrando milhões, mas maioria morre minguando. Moradia meia-água, menos, marquise.

Mundo maluco, máquina mortífera. Mundo moderno, melhore. Melhore mais, melhore muito, melhore mesmo. Merecemos. Maldito mundo moderno, mundinho merda.”


Do alto da minha máxima pequenez só posso dizer: GENIAL


Pablo Souza

1 de fevereiro de 2010

O simples propósito da arte.

Vale a pena assistir.



Pablo Souza
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11 de dezembro de 2009

Gotas de Poesia

Ternura
Vinicius de Moraes

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.

6 de dezembro de 2009

Gotas de poesia

O teu riso
Pablo Neruda

Tira-me o pão, se quiseres, tira-me o ar, mas não me tires o teu riso.

Não me tires a rosa, a lança que desfolhas, a água que de súbito brota da tua alegria, a repentina onda de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso com os olhos cansados às vezes por ver que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso sobe ao céu a procurar-me e abre-me todas as portas da vida.

Meu amor, nos momentos mais escuros solta o teu riso e se de súbito vires que o meu sangue mancha as pedras da rua, ri, porque o teu riso será para as minhas mãos como uma espada fresca

À beira do mar, no outono, teu riso deve erguer sua cascata de espuma, e na primavera, amor, quero teu riso como a flor que esperava, a flor azul, a rosa da minha pátria sonora

Ri-te da noite, do dia, da lua,
ri-te das ruas tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro rapaz que te ama,
mas quando abro os olhos e os fecho, quando meus passos vão, quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar, a luz, a primavera, mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

4 de dezembro de 2009

Gotas de poesia

Sossega Coração
Fernando Pessoa

Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.

Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperença a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.

2 de dezembro de 2009

Gotas de poesia

Os Ombros Suportam o Mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

29 de novembro de 2009

Gotas de poesia

Novidade no blog, a seção gotas de poesia, pra começar o poetinha, Vinícius de Moraes.

A ausente

Amiga, infinitamente amiga
Em algum lugar teu coração bate por mim
Em algum lugar teus olhos se fecham à idéia dos meus.
Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios
Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas
Como que cega ao meu encontro...
Amiga, última doçura
A tranqüilidade suavizou a minha pele
E os meus cabelos. Só meu ventre
Te espera, cheio de raízes e de sombras.
Vem, amiga
Minha nudez é absoluta
Meus olhos são espelhos para o teu desejo
E meu peito é tábua de suplícios
Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes
E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim
Como no mar, vem nadar em mim como no mar
Vem te afogar em mim, amiga minha
Em mim como no mar...
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